A destruição da Comunidade Judaica de Salônica é lembrada um século depois

20 de agosto de 1917, na manhã seguinte ao incêndio, 70.000 desabrigados, incluindo 52.000 judeus, a totalidade da comunidade. Nem se sabe por quantos semanas tiveram que dormir amontoados nas praças de Salônica, como o pequeno grupo de judeus na foto que foi fotografado na praça do Campo de Marte.

A Europa vivia a Primeira Guerra Mundial, e o porto de Salônica na Grécia (hoje Tessalônica) era uma região de abrigo de refugiados. Um fogão de carvão numa das cozinhas para aqueles refugiados virou e um incêndio se iniciou.

Militares gregos apenas podem observar enquanto as chamas avançam consumindo todos os prédio em seu caminho, no dia 19 de agosto de 1917, Esta foto é na Praça da Liberdade.

Não houve possibilidade de controlar as chamas e ao final, dois terços da cidade foram reduzidos à cinzas. Setenta mil moradores ficaram sem casas, dos quais, 52.000 eram judeus. 32 duas sinagogas, 10 bibliotecas rabínicas, 8 escolas judaicas e o arquivo comunitário foram completamente destruídos. Neles estavam livros, rolos de torá e peças litúrgicas originárias da Península Ibérica, desde antes do século 15, pois a comunidade grega foi formada principalmente pelos judeus expulsos da Espanha em 1492 e no ano de 1917 era a maior comunidade de fala de língua ladina no mundo.

Roupas típicas de judeus de Salônica em cartão postal colorido a mão de 1916

Adicionalmente, todos os negócios, clubes e associações de filantropia judaicas também foram consumidos pelas chamas. Nem é possível imaginar o que foi perdido nas casas das pessoas.

Família judaica de Salônica em 1917 antes do incêndio.

Mas os judeus de Salônica não se entregaram. Ficaram por lá e trabalharam na reconstrução de sua cidade e de sua comunidade, para perderem tudo novamente.

Toda a população judaica de Salônica concentrada na enorme praça sendo identificada pelos nazistas. Apenas 2% destas pessoas sobreviveriam.

Após a primeira e enorme tragédia havia se passado uma geração, quando os nazistas invadiram, e, no verão de 1943 começaram a deportação dos judeus gregos para Auschwitz. No total, perto de 50.000 judeus gregos de Salônica foram enviados ao campo da morte na Polônia e 96% deles foram mortos. O último trem levando judeus de Salônica para Auschwitz partiu no dia 18 de agosto de 1943.

Uma das poucas fotos que restaram do maior cemitério judaico da Europa, com 300.000 túmulos, sendo o mais antigo, de 1492. Em 1942 as tropas nazistas demoliram praticamente tudo para usar as pedras.
Em 1945, após o final da Segunda Guerra Mundial, dois dos pouquíssimos sobreviventes judeus gregos voltam e constatam o que restou do cemitério com o tamanho de 80 campos de futebol. 50.000 judeus de Salônica foram assassinados pelos nazistas em Asuchwitz, no ano de 1943.

O cemitério judaico de Salônica foi intencionalmente destruído durante a ocupação nazista e suas pedras tumulares foram quebradas em construções, fortificações e como base para estradas. Era o maior da Europa. Seu primeiro túmulo foi aberto em 1492 e o número de judeus que foram sepultados lá chegou aos 300.000. Ele possuía a área de 80 campos de futebol.

Rua Santa Sofia, mesmo destino de 2/3 da cidade.
Mesma devastação na esquina da rua Conduriotis. Salônica era uma cidade típica do início do século 19, com muitas construções em alvenaria, pedra e tijolos, mesmo assim, queimou.
População espremida no em parte do cais da cidade, sem ter para onde ir ou o que fazer durante o incêndio.
José Roitberg
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Jornalista, professor sobre o Holocausto formado no Yad Vashem e pesquisador sobre a história dos judeus e do Rio de Janeiro.

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