O Mar da Galileia está no nível mais baixo registrado em sua história

Israelense pede chuva para salvar o Kineret

As mudanças climáticas são reais. Sejam elas cíclicas, sejam elas causadas pela atividade solar ou pela atividade humana, elas existem. Furacões mais fortes, chuvas mais intensas, invernos mais frios em alguns lugares, e verões mais quentes, e secas severas em outros. Só que existem países que acreditam nisto e se preparam e outros como o Brasil que ficam ao deus-dará.

Da mesma foram que Israel divulga sua população antes de Rosh Ha Shaná, o país também divulga os dados sobre o Mar da Galileia, o lago Kineret alguns dias depois já que ele é o destino interno preferido do israelense para o feriado de Sucot, escolhido em média por 40.000 pessoas anualmente.

Segundo a Autoridade de Águas de Israel, o norte do país enfrenta a seca mais severa dos últimos 100 anos. No ano passado, choveu apenas 10% da média histórica no norte. Não se tem dados anteriores, pois as medições começaram a serem feitas quando o Império Turco Otomano foi derrotado no Oriente Médio pelas tropas britânicas na Primeira Guerra Mundial, exatamente em novembro de 1917.

O déficit de água de chuva no norte do país entre 2016 e 2017 chega ao equivalente a um milhão de piscinas olímpicas. Toda esta água corre para o Kineret por afluentes e por aquíferos no subsolo. A diferença fez com que o Mar da Galileia esteja quase 1,5 metros abaixo da segunda linha vermelha, ou linha preta, como alguns cientistas denominam. Esta linha sempre foi tida como um ponto em que a salinidade da água se altera e todo o ecossistema de lá pode entrar em colapso.

A pior seca até hoje tinha sido no ano de 2001, quando o Kineret atingiu quase 2 metros abaixo da segunda linha vermelha. E em 2008 o nível estava quase na mesma altura que o atual. De fato, entre 2001 e 2016 ele nunca voltou ao seu nível histórico normal.

Faltam hoje no Kineret, 2,5 bilhões de metros cúbicos de água. A diferença é que em 2001 e 2008 se retirava água para consumo no país a uma taxa de 300 milhões de metros cúbicos por ano, substituídos, a partir de 2015, pela água potável gerada pelas usinas de dessalinização de água do mar. Não fosse esta previsão e o uso de tecnologia, o Kineret estaria condenado. Antes de chegar ao lago, vinda do norte, ainda são desviados 150 milhões de metros cúbicos de água por ano, para uso local, que é mesma taxa dos últimos 40 anos, mas nem uma gota sequer é mais bombeada do lago para consumo já há dois anos.

Ainda segunda a Autoridade de Águas, se neste inverno que se aproxima, não chover 85% da média histórica há risco de importantes rios e cursos de água do norte e do Golã ficarem completamente secos, inclusive o importante rio Banias.

A solução para o problema, Israel já sabe qual é. Precisa construir mais usinas de dessalinização de água e provavelmente uma delas apenas para o recompletar o lago durante alguns anos e posteriormente servir à população. No momento, não é possível bombear água para o Kineret, pois os 600 milhões de metros cúbicos anuais de água dessalinizada estão sendo utilizados integralmente pela população.

Mais que nunca as rezas pela chuva, proferidas pelos ortodoxos e ultra-ortodoxos em Israel antes da chegada do inverno são necessárias e bem vindas. Neste dia 9 de outubro já começaram as chuvas no centro-sul do país, em Jerusalém e na região do Mar Morto.

1 Comentário

  1. É uma tremenda besteira dizer que as rezas dos ortodoxos são necessárias. Para solucionar um problema concreto como esse é preciso boa ciência, boa engenharia e boa política. Rezas só servem para tranquilizar aqueles que não são capazes de fazer nada de útil, e não afetam em nada a realidade.

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