Entenda porque ainda não comentamos sobre a união entre a Autoridade Palestina e o Hamas

Saleh al-Arouri do Hamas, à esq e Azzam al-Ahmad da Fatah se cumprimentam após a assinatura do Acordo de Reconciliação Palestino negociado com ajuda do Egito.

O motivo principal é que os acordos verdadeiros entre as duas partes ainda não foram revelados, e o que está divulgado é, no mínimo estranho. Neste artigo vamos abordar alguns pontos.

Quando o Hamas assumiu o poder na Faixa de Gaza, amparado por uma vitória nas últimas eleições realizadas entre os palestinos há mais de 12 anos atrás, não foi de forma pacífica. Foi pelas armas. Na época, a Autoridade Palestina, de Mahmoud Abbas (que se perpetuou no poder muito além dos quatro anos que as tais eleições lhe deram), detinha o poder político e policial em Gaza e seus homens foram caçados pelas ruas como cães. Todas as famílias de palestinos ligados à Autoridade Palestina foram expulsas de Gaza pelo Hamas e foram para a Cisjordânia com apoio de Israel. Aquele momento precisa ser reconciliado entre eles.

Há duas partes relevantes em Gaza que não são atreladas nem ao Hamas, nem a Autoridade Palestina. A mais antiga é o Jihad Islâmico, que teve um túnel de ataque que partia da cidade de Khan Yunes, a mais ao Norte da Faixa de Gaza para dentro de Israel, encontrado pelo IDF e explodido, nesta segunda-feira, dia 30/out, deixando 12 integrantes da Jihad Islâmica mortos. A segunda parte é o Estado Islâmico no Sinai, composto inicialmente por palestinos, tanto de Gaza, quanto do Egito.

Ação da unidade especiliada em combates em túneis do IDF neste dia 29. Obviamente a propaganda palestina já acusou Israel de estar tentando prejudicar o Acordo de Unidade, ao atacar um túnel palestino em seu próprio território.

Aliás, talvez o entendimento mais coerente para a união entre a AP e o Hamas seja a luta que eles precisaram travar contra outros palestinos do Estado Islâmico, que pretendem os derrubar e transformar toda a área palestina num território do Califado junto à Israel. Neste caso, a união entre AP e Hamas é para salvar seus próprios pescoços.

Além da destruição do túnel de ataque palestino hoje, nos últimos três dias os discursos e ações tem se acirrado entre os palestinos. Hoje, nesta segunda, Mahmoud Abbas, declarou publicamente que qualquer membro do Hamas que for alçado ao cargo de ministro no novo governo de coalizão, terá, obrigatoriamente, que reconhecer a existência do Estado de Israel.

Na sexta-feira passada, dia 27/out o chefe da segurança do Hamas, Tawfiq Abu Naim, foi vítima de um atentado por carro-bomba em Gaza, de onde saiu com múltiplos ferimentos moderados.

No sábado foi descoberto um túnel de ataque palestino cuja entrada ficava sob uma escola da UNRWA, portanto uma escola da ONU na Faixa de Gaza e Israel está cobrando explicações.

O prazo para o Hamas entregar todo o seu controle de fronteiras com Israel e Egito para a Autoridade Palestina é nesta quinta-feira, dia primeiro de novembro.

O Catar (sunita) afirmou que vai apoiar financeiramente e o Hamas esteve no Irã (xiita) garantindo que o apoio mútuo entre os dois continuará o mesmo.

Portanto, ainda é muito cedo para se especular se o acordo atual será levado à frente ou é apenas mais um que gerou discussões, expectativas e não vai dar em nada.

José Roitberg
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Jornalista, professor sobre o Holocausto formado no Yad Vashem e pesquisador sobre a história dos judeus e do Rio de Janeiro.

1 Comentário

  1. Existe uma outra face. Eh o tipo de guerra que em que o verdadeiro interessado em uma guerra nao se apresenta como tal. Eh uma guerra total comumente hije chamada de guerra hibrida. Ucrania, Libano, Iraque e Siria sao exemplos recentes e nao eh possivel trilhar os culpados dos crimes e genicidios nesses paises. Ao contrario o pacto permite a expansao do hamas e fica mais dificil israel se defender, como no caso do libano onde um governo nao assume o q faz seu para estado.

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