Homenagem à Anne Frank gera polêmica na Alemanha e presidente do Congresso Mundial judaico se manifesta

A empresa Deutsche Bahn lançou 25 novos trens-balas e decidiu batizá-los com nomes de alemães famosos.

Após fazer uma pesquisa entre os usuários do sistema, a ferrovia deu aos trens o nome de alemães famosos, um dos trens recebeu o nome de Anne Frank, a menina judia morta durante a Segunda Guerra Mundial. Anne ficou posteriormente conhecida por causa de seus relatos escritos que virou o famoso livro O Diário de Anne Frank, lançado em 1947.

Uma polêmica surgiu em razão de a família Frank ter sido deportada de trem da ferrovia estatal da Holanda para Auschwitz em 1944.

As reações logo surgiram nas redes sociais e chegaram aos jornais e meios de comunicação alemães, classificando a escolha de “mau gosto”.

Já a porta-voz da Deutsche Bahn, Antje Neubauer, disse que a sugestão do nome de Anne Frank foi feita por muitos clientes. Ela disse ao jornal BILD que o nome “representa a tolerância e a coexistência pacífica de diferentes culturas, que é mais importante do que nunca nos tempos atuais”.

A Deutsche Bahn pediu aos usuários, em setembro, a indicação de alemães famosos. Em um mês houve quase 19.500 respostas com mais de 2.500 sugestões diferentes.

Um júri selecionou os melhores nomes para usar nos novos trens que agora homenagearão figuras conhecidas da política, indústria e ciência, incluindo o primeiro chanceler da Alemanha, Konrad Adenauer, a pioneira da indústria automotiva Bertha Benz e o físico Albert Einstein, que também fugiu da Alemanha nazista para os Estados Unidos.

Também serão homenageados com nomes de trens o casal Hans e Sophie Scholl, dissidentes que lutaram contra o nazismo, o teólogo Dietrich Bonhoeffer, a filósofa Hannah Arendt, o filósofo e sociólogo Karl Marx, o escritor Thomas Mann, o compositor Ludwig van Beethoven e a atriz e cantora Marlene Dietrich.

Recentemente o presidente do Congresso Mundial Judaico, Ronald S. Lauder, sugeriu à Deutsche Bahn contextualizar sua decisão e fornecer aos passageiros do ICE informações sobre o papel da empresa na deportação de Judeus durante o Holocausto.

Em uma carta ao CEO da Deutsche Bahn AG, Richard Lutz, Lauder escreveu que a decisão da ferrovia de incluir a jovem vítima do Holocausto entre sua lista de alemães influentes “foi inicialmente encontrada com alguma resistência, principalmente porque Anne Frank foi deportada pelos trens da Reichsbahn para Auschwitz.

“Na minha opinião, seria apropriado que os passageiros do ICE” Anne Frank “sejam informados sobre esta parte da história da sua empresa predecessora”, escreveu Lauder. “Por exemplo, isso poderia ser feito dizendo o destino de Anne Frank em horários de trem nos trens, ou em folhetos separados, e criando um contexto para essa nomeação”.

“Isto é particularmente importante no presente caso, porque Anne Frank não pode simplesmente ser honrada como uma” grande alemã “. Em vez disso, esse nome representa os seis milhões de judeus assassinados pelos alemães durante a era nazista”, acrescentou Lauder.

Obs Menorah: devemos traçar uma linha muito clara, e não parece ser o caso neste momento, entre as empresas alemãs na atualidade e as empresas alemãs sob o regime nazista. Não havia uma empresa sequer que não tivesse recebido novo diretor filiado ao Partido Nazista ou tenha sido confiscada pelo governo, como todas as empresas dos judeus, mas também empresas de outros, principalmente de comunistas e democratas.  A Reichsbahn operou como empresa de transporte de cargas e passageiros por toda a Europa Ocupada e até mesmo para dentro da União Soviética. Durante a Segunda Guerra Mundial, nenhuma das empresas ferroviárias dos países ocupados foi nacionalizada e competiam pelos valores do fretes,c como a empresa francesa, a polonesa, a húngara, a austríaca e a romena. Não imagine o leitor que um trem carregando tanques de guerra para a frente russa ia como cortesia da Reichsbahn. O frete era cobrado. E como a responsabilidade pelo transporte dos judeus para os campos de concentração e de extermínio era da SS, ela precisava pagar as passagens de cada judeu deportado, ou cada prisioneiro de guerra transferido. Este é um dos motivos dos militares serem obrigados a fazer marhas de centenas de quilômetros e dos judeus serem transportados em vagões de gado, pois a Reicshbahn cobrava pelos 70 judeus ou mais no vagão o mesmo valor normal para o transporte de seis cabeças de gado que é o que cabia no vagão. Por outro lado, a SS destruiu todos os seus registros de transporte de judeus e outros prisioneiros de guerra nos meses finais do conflito e lá pelo final do anos 1980, foram encontradas pela Reicshbahn todas as cópias que ficavam com a burocracia da empresa nos embarques, e imediatamente foram enviadas para Israel, para o Yad Vashem, se constituindo na principal base de dados (hoje pública pela site da YV), com nomes origem e destinos dos judeus transportados para a morte durante o Holocausto. além de ser uma completa e enorme prova documental sobre o genocídio.

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