SOU RUIM DA CABEÇA E DOENTE DO PÉ

No tempo em que se amarrava cachorro com linguiça, ou seja, no tempo do onça, carnaval nas ruas do Rio de Janeiro era sinônimo de festa, de alegria, de divertimento, de encontros amorosos, de boa música e de confraternização.

No tempo atual de zika, de febre amarela, de chicungunha e de mijões do asfalto, os dias temíveis do carnaval carioca se transformaram em paralelos de bagunça, sujeira, violência, assaltos, falta de respeito e invasão de privacidade.

Existem áreas da Cidade Maravilhosa que dormem nos fins de semana. Áreas que são ocupadas por gente que trabalha durante a semana e que se recolhe à sua casa aos sábados e domingos.

Não seriam estes, os locais apropriados para que as multidões que chegam à zona sul da cidade se reunissem para festejar Momo?

Porque as administrações que se sucedem na cidade, insistem em programar blocos de carnaval com centenas de milhares de participantes bêbados, exatamente para as ruas de Copacabana, Ipanema e Leblon?

Não dá para entender o fato de que com um IPTU batendo na lua, com a precária limpeza urbana, com a violência urbana e os assaltos batendo às portas, já no dia a dia, os moradores da área mais nobre do Rio de Janeiro, ainda sejam obrigados a conviver por dias seguidos, com a esbórnia, a imundície, os furtos de celulares, a bebedeira, os porcalhões que defecam e urinam em árvores e postes como se cachorros fossem(será que são animais irracionais de verdade?).

Esta “festa popular” que traz multidões indesejáveis para a vizinhança de quem não as quer, sem nenhuma dúvida, deve ser dirigida para outras regiões da cidade.

A maioria esmagadora dos moradores da área afetada pela ocupação dos ditos foliões que chegam aos borbotões para inviabilizar o trânsito, a vida normal e a tranquilidade das pessoas, não quer esta zorra nas portas de suas moradias.

Chegou a hora da administração da cidade ouvir o que pensa a cidadania que sustenta os cartões postais da cidade com seus impostos e saber de fato se querem este inferno de Baco ainda que por dez ou quinze dias por ano, molestando suas famílias, sua tranquilidade e seu direito sagrado ao descanso dos finais de semana e sua possibilidade de ir e vir sem serem importunados por vândalos fantasiados, cheios de álcool na mufa e dezenas de milhares de vendedores camelotados de bugingangas, birita e pseudo-fantasias, transformando os bairros afetados em sucursal da merda.

Há outras maneiras e outros locais para que Momo seja festejado que não seja incomodar mais de um milhão de residentes das ruas por onde se espremem os idiotas que procuram numa aglomeração desta natureza, algum sentido para suas vidas.

Quem sabe, um dia, este tal de CARNAVAL que um dia já foi representação de verdadeira alegria, boa música e relacionamentos decentes, volte no tempo e mostre que tem sentido e deve prosperar.

Da forma como está sendo levado, ao invés de adeptos, está produzindo na cidadania afetada, angústia, medo e repulsa.

Ronaldo Gomlevsky​

Ronaldo Gomlevsky
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Ronaldo Gomlevsky é jornalista, advogado e empresário.

3 Comentários

  1. Excelente texto sobre o Carnaval “maravilhoso” da nossa cidade perigosa!!! Compactuo 100% com você Ronaldo Gomlevsky.
    Parabéns

  2. Caro Ronaldo,falou a expressão da verdade, o que muitos sentem mas não tem coragem para falar ou expressar o que pensa. Não é mais possível a convivência civilizada na nossa região, que transformaram o carnaval em simbolo de falta de educação de moral e outros adjetivos que não merecem ser descritos e que assolam o nosso dia dia ,e que infelizmente, apresenta seu auge nesta esbornia que é o carnaval de rua.

  3. Caro Roni, assim também estão as cidades dos circuitos das aguas .Cambuquira ,Lambari.
    Cidade pequena ,inferno grande.Acho que ninguém consegue frear a bestialidade humana que estamos vivendo.Estamos ferrados.Um fraterno abraço.Sempre ouvindo confronto metropolitana na net.SHALOM:Laércio Manes.:.

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