Quando Marcel Marceau salvou crianças judias durante o Holocausto

Nós lembramos. E desta vez vamos recordar do maior mímico de todos os tempos, o francês Marcel Marceau, nascido Marcel Mangel numa família judaica de Estrasburgo em 1923. Ele foi vítima e herói durante o Holocausto.

A cidade é próxima à fronteira da Alemanha e foi uma das primeiras cidades médias francesas a receber a invasão alemã. Muito antes das tropas chegarem, os judeus fugiram de lá. Marcel, com apenas 16 anos, adotou o sobrenome Marceau para tentar escapar das autoridades nazistas e isto funcionou.

Mas seu pai não escapou e acabou assassinado pelos nazistas em Auschwitz. Michel Mangel era um simples açougueiro kosher de Estrasburgo e por isso, num mundo nazista, ele não tinha mais o direito de viver.

Há um material muito completo sobre a história de Marcel Marceau na Resistência Francesa, através do discurso que ele proferiu ao receber, no ano de 2001, a medalha humanitária Raul Wallemberg.

Disfarçado como escoteiro, recebeu a missão de evacuar crianças judias de um orfanato francês próximo a Paris até a Suíça. E cumpriu esta viagem por três vezes com sucesso, salvando algumas centenas. Isto aconteceu apenas no ano de 1944.

Marcel contou que se encantou por Chaplin e tentava imitá-lo desde os cinco anos de idade, mas a mímica começou nestas ações de guerra. Ele decidiu tentar usá-la para manter as crianças quietas durante os longos percursos pelo território ocupado pelos nazistas e deu certo.

No discurso ele declarou não ter começado a fazer mímica no show business, mas para manter sua própria vida e as vidas das crianças.

As outras ações de Marcel Marceau na Resistência Francesa não são conhecidas mas pode-se imaginar que tenham sido ações de combate, sabotagem e contrabando como os normais para aquela época.

A primeira performance pública de Marcel Marceau como mímico aconteceu no pós-guerra num show para entretenimento de 3.000 soldados norte-americanos em Frankfurt. Dois dias depois saía a revista militar americana Star & Stripes, cobrindo o show e fazendo uma crítica muito positiva à Marcel. Depois disto, foram 60 anos nos palcos.

José Roitberg
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Jornalista, professor sobre o Holocausto formado no Yad Vashem e pesquisador sobre a história dos judeus e do Rio de Janeiro.

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