Morre o maior dos crápulas negadores do Holocausto

Ernst Zundel desdenhando de sua condenação na Alemanha em 2007

Ernst Zundel morreu aos 78 anos, vítima de um providencial ataque cardíaco, em sua casa no interior da Alemanha, segundo afirmou sua esposa. Nascido em 1939, passou a Segunda Guerra Mundial como bebê e apenas uma criancinha.

Imigrou para o Canadá,em 1958, e lá começou suas atividades nazistas. Há pontos mal contados da relação dele com o governo canadense, pois não conseguiu obter a cidadania em 1966 e novamente em 1994, ainda assim foi permanecendo no país até ser deportado para a Alemanha no ano de 2001.

Zundel foi um pioneiro no uso da internet para a difusão de conteúdo tanto nazista como de negação do Holocausto. Começou esta atividade, ainda com grupos de discussão na época dos sistemas BBS, muito antes sequer da maioria das pessoas saber que a internet existia, e anos antes da primeira versão do Windows vir mudar a forma de todos se relacionarem virtualmente.

Assim que a internet como a conhecemos hoje foi implementada, lá estava o Zundelsite, hospedado livremente no Canadá vertendo sua verborragia antissemita para todos os cantos do mundo.

Mesmo após sua deportação para a Alemanha, o site continuou a ser operado a partir do Canadá e durante algum tempo hospedou áreas de nazistas brasileiros. No ano de 2007, Zundel foi condenado por negacionismo do Holocausto, na Alemanha, a cinco anos de prisão, mas foi libertado em 2010. Durante os três anos que passou no cárcere, o site continuou a ser operado por seus apoiadores.

Credita-se a Ernst Zundel a redação de um dos principais livros de negação do Holocausto: “Morreram de fato 6 milhões?”, texto que estabeleceu as explicações mais estapafúrdias para mostrar que os judeus, os americanos, os soviéticos e os próprios alemães mentiam sobre o genocídio de judeus e outras etnias e sobre a existência de câmaras de gás. O livro foi publicado em 1977 pela editora Samistad, criada por ele e traduzido para o português, pelo também já falecido S.E. Castan, criador da editora Revisão, no sul do Brasil, em 1982. Aliás, praticamente todos os livros de Castan, cujo nome real era Siegfrid Elwanger, eram meras traduções dos trabalhos racistas de Zundel.

Desde o final dos anos 1990 sabe-se que o Aiatolá Khomeini, adotou uma política de usar dinheiro iraniano para financiar todas as editoras nazistas ocidentais alavancando as tiragens e produção de conteúdo de negação do Holocausto, até decidir fundar sua própria universidade, voltada quase que exclusivamente para isto, a MAUP, na Ucrânia, centro mundial de impressão e exportação de livros de negação do Holocausto em dezenas de línguas.

O Zundelsite continua ativo e o trabalho de revisão mentirosa do Holocausto continuará através de seus colaboradores e filhos.

José Roitberg
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Jornalista, professor sobre o Holocausto formado no Yad Vashem e pesquisador sobre a história dos judeus e do Rio de Janeiro.

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