O maior mural de graffiti da Síria é obra de artistas brasileiros e crianças refugiadas

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Os dois cabeludos são o Rimon Guimarães e o Zéh Palito. O curioso é que rimon é um termo em hebraico e significa limão.

Nas últimas semanas, uma dupla de artistas brasileiros tem dedicado o seu trabalho a colorir um mural em um local pouco comum: na cidade de Damasco, em meio à guerra da Síria.

Os muros destruídos e as pinturas da bandeira do país deram espaço para imagens de animais, paisagens e muitas cores.

Os curitibanos Rimon Guimarães e Zéh Palito desembarcaram na Síria no final de abril. Com apoio da embaixada brasileira em Damasco, ele realizaram o maior grafite até então no país.

A pintura urbana tem 270m² e é resultado do coletivo de arte contemporânea Conexus. Com curadoria da gaúcha Sheila Zago, o grupo de artistas viaja o mundo promovendo intervenções em locais em que grande parte da população encontra-se vulnerável.

Além do graffiti, os artistas desenvolvem projetos educacionais com as crianças e jovens da região. O painel em Damasco está instalado na Galeria Mustafa Ali e foi desenvolvido com ajuda dos pequenos refugiados.

A Guerra na Síria se arrasta há 5 anos e já matou mais de 400 mil pessoas, além de deixar desabrigadas mais de 11 milhões. Ao todo, são mais de 5 milhões de refugiados em decorrência da guerra.

De acordo com os artistas, o objetivo da pintura era justamente trazer inspiração e sentimentos de liberdade, esperança e justiça a população local.

Após a passagem pela Síria, o projeto Conexus segue para a fronteira da Líbia.

De acordo com Zago, em locais onde a tensão e conflito se faz presente, ela enxerga a arte como um conexão possível entre as pessoas.

“Em um momento de forte fluxo de imigração devido a conflitos internacionais, as pessoas procuram oportunidades para sobreviver, lugares para viver – esperar ou começar uma nova vida. Muitos acabam vivendo em condições não ideais entre campos de refugiados e assentamentos, onde a educação não é facilmente acessada e as crianças e adolescentes muitas vezes deixam de estudar. Nesse contexto, o Projeto Conexus está desenvolvendo programas educativos para atender jovens, tendo a arte como conector central dos projetos”, completa.