JERUSALÉM

Em janeiro de 1963 cheguei, aos meus quinze anos, em Jerusalém, pela primeira vez. Fiquei hospedado junto com mais uns quarenta jovens judeus brasileiros no Hotel Windmill (moinho de vento), bem ao lado do Hotel King David, palco de ataques de Menachem Begin contra os exércitos da Rainha da Grã-Bretanha, nos tempos da luta armada pela independência do Estado Judeu.

Naquele tempo, a falta de liberdade já era uma realidade do mundo islâmico que não aceitava a ideia da existência de Israel.

A Jordânia (país inventado pelos ingleses para dividir no sentido de continuar governando) havia, na Guerra de Independência, iniciada no ano de 1948 com a saída da Inglaterra da região, conquistado Jerusalém e impedia a entrada de judeus na região do Muro das Lamentações.

Uma pequena parte de Jerusalém permanecia em poder de Israel no ano de 1963.

Passamos bem perto do Muro, mas não pudemos entrar. Soldados jordanianos armados até os dentes e de cima para baixo, controlavam a área e apontavam suas armas para quem como nós, fosse “infiel”.

O tempo passou. Três anos depois, o rádio, as emissoras de TV e os jornais davam conta de que Israel seria varrido do mapa pelos exércitos árabes unidos.

Gamal Abdel Nasser, o ditador egípcio, havia fechado o estreito de Tiran, impedindo navios israelenses ou embarcações com destino ao Estado Judeu de passarem pelo Canal de Suez, num tipo de embargo que soou como uma declaração de guerra a Israel, após a imprensa árabe ter afirmado durante alguns meses que os judeus seriam jogados ao mar e Israel destruído.

Não faltaram charges publicadas do tipo daquelas usadas por Hitler para transformar judeus em dominadores, exploradores e seres repugnantes que deveriam ser esmagados.

Era um dia ensolarado e frio como o de hoje, no Rio de Janeiro, o 5 de junho de 1967.

Ao acordarmos pela manhã ouvimos que as forças de defesa de Israel haviam destruído a aviação bélica egípcia, pela madrugada, nas pistas de seu aeroporto militar, utilizando aviões comprados à França e totalmente modificados em Israel em sua parte bélica. Voaram tão baixo que não foi possível aos inimigos árabes detectá-los em seus radares.

Com o passar dos dias, a Síria perdeu as Colinas de Golan de onde, ainda que em tempos de armistício, seus soldados acantonados no local atiravam nos trabalhadores israelenses em seus kibutzim (granjas coletivas) de cima para baixo. Todo o deserto do Sinai e Gaza caíram nas mãos das forças de defesa de Israel.

O Líbano perdeu o Monte Hermon.

A Jordânia perdeu Latrun e perdeu Jerusalém que foi reunificada sob a bandeira da Estrela de David.

Faz exatos cinquenta anos, hoje, que Jerusalém pode ser visitada por qualquer cidadão do mundo que ali vá em paz.

Faz exatos cinquenta anos, hoje, que qualquer fiel de qualquer credo pode chegar em Jerusalém para rezar ou visitar os lugares santos do Cristianismo, do Judaísmo ou do Islã.

Faz exatos cinquenta anos, hoje, dia 5 de junho de 2017 que teve início para os judeus de todo o mundo, a Guerra dos Seis Dias.

Este episódio histórico trouxe a vitória das Forças de Defesa de Israel contra a barbárie, a falta de liberdade e a falta de respeito pela fé alheia.

Jerusalém, então, foi reunificado e entregue, ainda que sob domínio israelense, a todos os cidadãos de boa vontade existentes no mundo que de lá, desde 1967, podem entrar e sair em paz.

Espero nunca mais ter que me deparar com armas árabes quando tiver vontade de chegar ao Muro das Lamentações ou quando quiser apenas passear pela cidade de David e de Salomão.

Que a minha destra perca a destreza, se eu me esquecer de ti, oh Jerusalém!!!

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