Proibição dos judeus reformistas e casais no Kotel (Muro Ocidental). Isto é verdade?

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Localidades principais da região do Muro Ocidental (clique na imagem para ver maior, salve e guarde com você)

Na semana passada o governo israelense anulou uma decisão sobre o Kotel. Imediatamente palavras de ordem muito duras foram proferidas por lideranças reformistas e ‘progressive’ norte-americanas e por lideranças ortodoxas israelenses. Frases que nunca imaginaríamos judeus gritando uns para os outros.

Por um lado, líderes reformistas falavam em traição por parte de Bibi Netanyahu, de quebra de promessa, de quebra de compromisso. Alguns falavam que os todos os judeus norte-americanos iam passar a ficar contra o governo de Israel.

Rabino Menachem Moses membro eleito do Knesset pelo partido United Torah Judaism

Por outro lado líderes ortodoxos comemoravam. Se usassem fogos de artifício os teriam disparado aos céus. Um deles, o excelentíssimo membro do Knesset (parlamento israelense), sr. rabino Menachem Eliezer Moses, um sorridente velhinho judeu membro do partido United Torah Judaism (o partido político criado nos anos vinte na Europa para ser a voz política judaica contrária ao Congresso Sionista Mundial), declarou para ser publicado, e foi: “Judeus Reformistas, fiquem na América e não interfiram aqui”. Uma vergonha. Uma falta total de compreensão de quem é quem.

O rabino Menachem Moses foi ainda mais longe: “Eu abençoo o Primeiro Ministro por ter se colocado ao lado do autêntico judaísmo”. E é isto que lideranças ortodoxas deste quilate de fato pensam: eles são os autênticos e todos os outros, inclusive nós, somos os falsos, o judaísmo deles e a relação deles com Deus é a única válida e a nossa é inválida ou sequer existe.

Mas qual é o motivo destas lanças pontudas voando para todos os lados, pois farpas seria algo muito leve para a questão? No discurso do rabino e parlamentar eleito Menachem Moses está bem explicado: o governo de Bibi Netanyahu CONGELOU os planos de acrescentar uma área de orações mistas (homens e mulheres juntos) no Muro Ocidental, no Kotel. Veja na imagem principal do artigo.

E a essa decisão, parte do mundo reformista desabou: governo traidor! Nos prometeu e agora voltou atrás por questões de apoio político interno! O Kotel é todos os judeus do mundo! Não pertence a este ou àquele ramo do judaísmo!

Mas esperem um pouco. Nem o que os reformistas norte-americanos estão gritando, nem o que os ortodoxos israelenses estão gritando tem a mínima base na realidade do que acontece hoje e do que aconteceu. E pior que isso, os judeus brasileiros preferiram ficar à margem desta confusão, como os argentinos, os franceses, bem… como quase todos.

Naftali Bennet, o Ministro da Educação de Israel usou a conta dele no Facebook para tentar esclarecer a situação e mostrar a verdade, mas poucos parecem estar interessados.

De fato, ninguém está interessado. O Ministro da Educação de Israel, Naftali Bennet publicou no Face dele um vídeo explicando a situação. Você pode assistir a íntegra no final do artigo. Ele fez isto porque também não suportou ver os ramos judaicos se atazanando publicamente a partir de INFORMAÇÕES FALSAS. E como bem sabemos, as informações falsas, as fake news, são muito melhor aceitas pelo público que a verdade. Já vão aí mais de 12 dias de publicação do vídeo pelo ministro israelense e entre os 8 milhões de habitantes de Israel e o total de 16 milhões de judeus no mundo, o vídeo tem a irrelevante marca de 46.000 visualizações, comprovando o desinteresse pelo caso e pelo que o ministro da educação de Israel tem a dizer, principalmente pelos cidadãos de seu próprio país.

A imagem oficial do plano de janeiro de 2016 agora postergado. A área azul seria a atual área mista ou pluralista atual, como o projeto denomina, acrescida de sua expansão e entrada indicada pela seta.

E Naftali Bennet é contundente. O Kotel atualmente é dividido da seguinte forma. À esquerda há a área masculina, separada por uma cerca de área à direita dela, que é a área feminina. Em seguida para a direita vem a passarela que dá acesso à Esplanada das Mesquitas e mais à direita, na área conhecida como Arca de Robinson e também como Muro do Sul, há a Praça Israel, área mista para orações, uma área aberta a todos, criada e montada pelo próprio Naftali Bennet a partir de uma ideia de Natan Sharansky, quando Bennet era o Ministro para Assuntos de Jerusalém há quatro anos. Esta área, a Praça Israel não está sob o controle do Rabinato do Kotel.

Bar Mitzva familiar na Praça Israel no Kotel.

E a Praça Israel não foi nem removida nem fechada pela decisão recente de Bibi Netanyahu.

O que foi decidido foi congelar a sua expansão, que consistia em modificar o acesso à praça, hoje feito pela direita da rampa que sobe à esplanada, para a esquerda permitindo que as pessoas que estejam na parte de trás da praça do Kotel (que é mista por definição) possam acessar mais facilmente a Praça Israel, de forma direta. E isto era inaceitável para alguns ramos ortodoxos que se consideraram vitoriosos por impedir a mudança.

Pais, mães, filhos e filhas todos orando juntos na Praça Israel. Isto vem acontecendo há 4 anos e não tem ingerência dos ortodoxos.

da ‘porta’ do lado direito para o esquerdo. E parece que as lideranças reformistas também não fazem a mínima ideia disto.

Bennet garantiu que sua reação como Ministro da Educação foi contatar a prefeitura de Jerusalém e determinar que a Praça Israel, montada sobre ruínas com um piso elevado de madeira, seja imediatamente expandida para a direita, aumentando o espaço destinado às pessoas. E como o rabinato do Kotel não pode interferir nisto, a obra será rapidamente realizada.

Mulheres judias reformistas na Praça Israel, no Kotel, praticando o judaísmo que elas interpretam o correto para elas. Ninguém nada a ver com isso. O judaísmo é diversificado.

Nos últimos quatro anos a Praça Israel tem sido utilizada por todos os judeus que querem fazer suas orações em casais ou em família, as mulheres que desejam e acham importante usar kipá e tefilin, que acham importante ler a Torá, lá o fazem sem nenhuma contestação, como o leitor pode acompanhar pelas fotos. E vão continuar fazendo.

Como diria Shakespeare, o escritor antissemita que nunca viu um judeu, muito barulho por nada, mas várias pessoas relevantes no contexto político israelense e dentro do judaísmo abriram suas cartas na mesa para quem quiser ver.

What is the Kotel compromise? And what is happening on the ground?I explain in 4 minutes.

Publicado por Naftali Bennett em Segunda, 26 de junho de 2017