Novo projeto reúne livros roubados no Holocausto com herdeiros

Uma igreja abarrotada de livros roubados oficialmente pelo exército nazista, quando encontrada por tropas note-americanas nas últimas semanas de Segunda Guerra Mundial.

Uma nova busca na Alemanha por livros roubados de judeus durante o Terceiro Reich está começando a dar frutos.

Recentemente, um homem na Califórnia que foi o único sobrevivente do Holocausto em sua família recebeu um livro da Alemanha que lhe foi dedicado por um professor. As únicas coisas que ele tem desde a infância são uma peça de roupa e uma foto de família, informou a agência de notícias Deutsche Welle.

No outono passado, foi anunciado que 500 livros da biblioteca dos donos de lojas de departamentos judeus Edith e Georg Tietz foram redescobertos na biblioteca da cidade de Bautzen.

O projeto “Initial Check” – dedicado a encontrar livros roubados e seus herdeiros legítimos – é uma parte relativamente nova da pesquisa patrocinada pelo governo da Alemanha para arte roubada, coordenada pela Fundação Lost Art, baseada em Magdeburg. Há mais de um ano, três pesquisadores de proveniência têm pesquisado através de bibliotecas, começando no antigo estado da Saxônia-Anhalt, na Alemanha Oriental. Ao todo, existem cerca de 6.000 bibliotecas que eventualmente serão examinadas por pesquisadores, disse à Deutsche Welle, Uwe Hartmann, chefe de pesquisa de proveniência da Lost Art Foundation.

Os sucessos podem não ser tão sensacionais quanto a devolução das pinturas de artistas famosos aos herdeiros. Mas, de acordo com um relatório na Deutsche Welle, o retorno de um livro pode ser muito significativo para a família envolvida, como no caso do sobrevivente do Holocausto da Califórnia.

De acordo com Hartmann, os nazistas começaram a confiscar livros de judeus na Alemanha após a Noite dos Cristais( Kristallnacht) em novembro de 1938. Alguns judeus que fugiram da Alemanha venderam seus livros e outros pertences por muito menos do que valiam. Outros livros foram saqueados de lares e coleções em áreas ocupadas nazistas durante a guerra.

Uma fonte de informação para pesquisadores de proveniência é uma lista de livros mantidos pelo Reichstauschstelle, um escritório do Ministério do Interior que foi criado na década de 1920. Os nazistas o usavam fundamentalmente como um recurso, disponibilizando livros roubados para ajudar a reabastecer bibliotecas alemãs que foram danificadas na guerra.
Mas, na maioria das vezes, os pesquisadores contam com a ajuda de bibliotecários locais, que conhecem o conteúdo de suas prateleiras e coletaram pistas ao longo dos anos.

Além de livros e pinturas, a Fundação Lost Art está buscando reconectar instrumentos musicais, móveis, artigos domésticos e até carros com seus herdeiros adequados.

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